Fazia de conta que ela nao era Lunar. . .


25/5/2011


O mundo precisa de pessoas bailarinas!

Sempre quis ter postura de bailarina. Acho lindo. Adoro os movimentos que elas fazem, toda aquela delicadeza, suavidade, gentileza. Bailarinas me emocionam. Cheguei a fazer ballet quando era pequena e depois parei. Acho que devia ter continuado, pois hoje minha postura seria bem melhor e eu seria bem magrela. O (único) lado bom é que meus pés não são cheios de calos, tampouco vivem machucados e com bolhas. Mas se for analisar, é bem melhor ter pé feio, ser seca e, de quebra, ter postura linda.
Acho que o mundo precisa de mais pessoas bailarina. As coisas andam feias demais. Falta gentileza, sobra pressa, rancor e cara feia. Fico impressionada com a quantidade de gente que mal dá bom dia. Pessoas que não olham nos olhos, esbarram em você na rua e nem pedem desculpa, tratam garçons e motoristas com ar superior, se sentem melhores que os outros. Na verdade, se achar o máximo é brega e ridículo.

Um sobrenome não é nada. Uma conta recheada não é nada. Um rosto e corpo bonitos são apenas um rosto e corpo bonitos. A gente envelhece. E ninguém é melhor por ser mais belo ou não. Muitas jóias espalhadas pelos pulsos, pescoço e orelhas também não querem dizer absolutamente nada.

Mesmo nos dias ruins procuro ser legal com quem não tem nada a ver com os meus problemas. A Maria, faxineira lá do prédio, é um amor de pessoa. Sempre pergunta pela Juno, minha york filhotona. Me deseja bom trabalho, dá bom dia, manda beijo e tudo mais. O seu Saldanha, porteiro da noite, adora a Juno. E guarda todas as encomendas pra mim. Tem também o Leandro, seu Daniel, e outros que não lembro o nome. Mas são pessoas simpáticas, queridas, do bem. Tem os motoristas da lotação. Como pego a mesma todos os dias pra ir pra agência, voltar pra casa, ir pra agência de novo e voltar pra casa de novo, todo mundo me conhece. Oi, amiga. Oi, moça. Bom almoço. Por hoje deu, né amiga? Bom descanso. E assim vamos indo, na nossa relação cordial, quase amiga. Tá triste hoje, amiga? Cadê aquele sorrisão? Tem também o pessoal do restaurante ali do lado de casa. Almoço ali quase todos os dias. Hoje tem isca de peixe. Hoje tem purê de batata. Guaraná Zero com gelo, certo? Todos conhecem os meus gostos e acho isso incrível, essa conexão que a gente faz com pessoas que vemos diariamente. É uma intimidade secreta. Todas essas pessoas que citei são pessoas bailarina.

Gente educada, generosa. Mas percebo que muitas pessoas não conversam com porteiros pelo simples fato de serem porteiros. Tem gente que chama o garçon de “ô!!”. Tem gente que diz é-por-isso-que-vai-servir-mesa-a-vida-toda. Acho isso um absurdo, o fim da picada.

Longe de mim querer dar lição de moral. Só acho que as pessoas deveriam se preocupar mais com as coisas de dentro. O que tá fora, meu amigo, é completamente perecível.

(E o dinheiro uma hora acaba.)

Texto de Clarissa Corrêa.

 

Escrito por claire.de.etoile às 11h47
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